Simplicidade

Vostede estivo na manifestaçom contra os estrangeiros que tivo lugar há uns dias em Chemnitz, Alemanha. O jornal que a entrevistou deu-lhe um nome fictício, Silvia Fascher. Nom é umha extremista de direita e quere deixalo claro. Tem 64 anos e trabalha numha empresa de pompas fúnebres. No outro dia saiu à rua co seu filho, um assistente de anciás. No domingo 27 forom 800, ao dia seguinte 2000. Ao lado dos pró-nazis, ao igual que os pró-nazis, também se lançou contra algumhas crianças sírias. É o ventre, o ventre gritando, alguns diziam: «Nom quero que venham mais estrangeiros. Quando os olho, pergunto-me por que os meus impostos estam a ser usados para eles. Só querem ser jogadores profissionais ou usureros, mas se tenhem que trabalhar um pouco duro queixam-se de ter dor de costas!».

Ainda que considera que som aspirantes a parásitos holgazáns que emulan a Cristiano Ronaldo, Silvia Fascher declara que é consciente das trágicas razons que levam aos imigrantes a abandonar o seu país. Mas nom entende por que a sua situaçom deveria ser mais importante que a dos milhons de alemás que vivem por embaixo do umbral da pobreza. Por isso afirma que está furiosa contra o governo, que «nom fai nada». No prazo de um ano vostede juvilara-se, mas nom se levará nada, umha miséria.

Quando lhe perguntarom a Silvia Fascher por que, após avaliar toda a situaçom, considera aos refugiados mais responsáveis que os políticos, banqueiros e industriais… sabe o que dixo? «Porque tes que estar em contra de alguém; e com eles é simple».

Sim, justo assim. Discutir é complicado, eructar é simple. Toma-la com os verdugos responsáveis polo que está a acontecer é difícil, fazer que os matons com as suas vítimas se convirtam em chivos expiatorios é simple. É difícil desobedecer aos poderosos, a cooperaçom é simple.

Tomemos os banderines de Casa Pound, por exemplo. Também conhecem bem o tema da imigraçom, de facto o seu protesto nom é «um ataque a um grupo de pessoas desesperadas reunidas no meio do mar, senom a denúncia do negócio da imigraçom». Mas organizar manifestaçons de choque contra os que exploram a tragédia dos imigrantes é complicado —trataria-se de questionar grande parte da economia italiana— receber com gritos e zarpas em alto aos refugiados de Diciotti à sua chegada a Rocca dei Papa é singelo.

O mesmo pode dizer-se dos prodígios de Forza Nuova, que dim estar dispostos a instalar pátios na praça para violadores: «nom podemos deixar às nossas mulheres a graça de seres que na sua cultura desprezam às mulheres cristás e europeias». Mas pendurar marionetas azuis adiante da escola de polícia de Brescia (de onde procediam os dois violadores da turista alemá em Rimini, respetuosos com as mulheres cristás e europeias) é difícil, pendurar figuras negras na praia de Jesolo é singelo.

Nem que dizer tem, ministro Salvini. Fechar as fábricas que abastecem de armas às guerras que devastam países longe da pobreza do colonialismo é difícil (além de contraproducente para o orçamento nacional, o prego fixo de todo estadista), fechar os portos aos que tentam escapar é singelo.

É por isso que hoje em dia umha Silvia Fascher repete os mesmos cánticos queridos por Casa Pound, Forza Nuova ou Salvini, e o racismo mais vicioso se está a estender como um reguero de pólvora. Porque é simple.

Chemnitz, Alemanha, finais de agosto de 2018. Bem-vindo à guerra civil.

Texto traduzido da web: finimondo.org

Deixa un comentario