O que está ameaçado é o seu velho mundo que arde

Autor: Borroka garaia da!

Era agosto do 2016. Os filhos e filhas de grande parte dos parlamentarios navarros estavam de férias, tostándose ao sol ou fazendo cursos de inglês na Irlanda. Enquanto, dezenas de jovens humildes, filhos e filhas da classe trabalhadora dormindo nas ruas de Iruñea. E nom é porque fossem sanfermines, que já tinham passado. Foi fácil bota-los à rua com a polícia desde as instituiçons navarras desalojando um espaço ocupado que dava refúgio às vidas de uns jovens sem recursos nem acesso à vivenda. Nom tivo nenhum comunicado de condena de nenhum partido, nom só porque todos foram cúmplices do desalojo senom porque nom estavam para essas cousas. Também estavam de férias. Embora sempre fica algum secretário sem férias que justificou o desalojo porque já tinha um projeto institucional com investimento de 450.000 euros para o edifício para ponhelo para a «mocidade», seguindo a clara lógica de expulsar a moços que conseguiram vivenda para construir vivendas para moços. Estamos em 2018 e ninguém sabe onde ficou esse projeto. Suponho que no mesmo sítio onde se levantou o projeto depois de derrubar Kukutza.

Três meses depois produzia-se outro desalojo silencioso com a cumplicidade de quase todos os partidos. As instituiçons navarras levavam ameaçando ou mentindo mais de médio ano à assembleia do gaztetxe. Primeiro ameaçando-lhes com desalojar, logo fazendo que mudassem de sítio o gaztetxe, e umha vez mudado de sítio forom expulsados e desalojados.

Nom seria o ultimo desalojo realizado em Iruñea, ainda teria mais dous (Em outubro do 2016 e em março do 2017). Em um deles a polícia nacional espanhola e a polícia autárquica de Iruñea abriram umhas quantas cabeças a porrazos e o sangue salpicou o chao.

Todo o contado até aqui mal existe já para nenhum médio de comunicaçom de massas nem para as direçons de nenhum partido como se fosse umha lenda urbana de um passado remoto já inescrutable. Mais nom foi esquecido pola juventude operária de Iruñea, e é o contexto onde se levantou o gaztetxe Maravilhas em setembro do 2017 libertando um novo espaço coletivo das garras do poder burguês que o mantinha em desuso.

Nom passariam muitos meses para que a câmara municipal de Iruñea ordenasse o cese de atividades de Maravilhas e ameaçasse com enviar à polícia o qual puxo em alerta à assembleia do Gaztetxe, que já em maio do 2018 denunciava umha situaçom de hostigamento policial e pressons o que lhes levou a afirmar que: «o problema muitas vezes é que essa esquerda que está a governar nas instituiçons, ou bem nom é valente e se acobarda com os gritos da direita, ou bem a sua ideologia ciudadanista e interclasista lhes leva a querer conciliar interesses irreconciliables e por tanto, em ultima instância, a servir aos interesses da burguesía. É assim como interpretamos os últimos acontecimentos».

Pouco depois o governo de Navarra recolheria a luva e tentando aproveitar «agosto» levaria a pressom até o ponto onde nos atopamos agora mesmo. Umha situaçom onde o governo do cámbio escreve-se entre aspas, ou simplesmente por arte de magia desapareceu o cuatripartito e se fala diretamente já de governo de geroa bai ainda que os demais partidos que governam tenham mais do duplo de votos que a sucursal do PNV.

Desde o 2016 as justificaçons «de esquerda» para tratar como a cans aos e as jovens consistiam em que eram «inimigas do cámbio» ou que estavam «mal aconselhadas» ou simplesmente o silêncio. Por isso os comunicados som papel molhado quando nom se correspondem com factos. Todo o mundo sabe o que significa que alguns políticos abracem a crianças ou acariciem animais. Noutro dia falaremos das estratégias institucionais reais que estam em jogo. E algumhas de tal cegueira e ombliguismo que som capazes de dizer que a juventude operária, os gaztetxes e o poder popular nom som o objetivo senom os seus butacons.

Mais como já comentei em outra ocasiom . Nom estamos em 2015 nem no 2016, quando entom com um pouco de esmero podiam-se silenciar os desalojos em Iruñea ou converter aos agressores em vítimas «de ataques ao cámbio». Estamos em 2018, por toda Euskal Herria o movimento juvenil em torno aos gaztetxes tive umha nova eclossom e em Iruñea concretamente estam a recolher o fruto de um trabalho calado de anos. Já nom som só uns e umhas moças com inquietudes e sonhos. Já conhecem a repressom, as mentiras e as falsas promessas. Já som veteranos e veteranas de um trabalho constante no âmbito juvenil e de apoio total ao povo trabalhador basco do que fazem parte. Polo que a classe trabalhadora e a juventude nom lhes deu as costas e a tenhem apoiada agora no gaztetxe para defender os seus interesses, que som os de todos e todas.

De modo que esses que usarom a repressom, as mentiras e as falsas promessas, esses que já desalojarom nom umha senom umhas quantas vezes acusam ao Gaztetxe de nom querer dialogar como justificaçom ao ataque criminal que desalojou o gaztetxe por umhas horas ontem. O único verdadeiro é que o gaztetxe sempre se mostrou disposto a dialogar pese a ter sido enganados mais de umha vez e que o único que pediam é que para iniciar um diálogo a ameaça de desalojo devia quedar a um lado. O governo navarro nom o aceitou para dialogar, nom quixo desprender-se dos seus grupos armados policiais e a ameaça a que atuassem. Ainda assim, e pese a que o governo navarro queria ir dialogar com um fuzil apontando à juventude de Iruñea , o gaztetxe em um enésimo esforço transigiu e aceitou que se desse o dialogo ainda que estivessem ameaçados, e só pedindo que este se realizasse em um sítio neutro e pospo-lo um dia. Evitando de modo que este encontro eclipsara as atividades programadas por parte do gaztetxe nas que Maravilhas Lamberto ia ser homenageada. A resposta do governo de Navarra foi tajante. Nom aceitou dialogar, devia esar moi ocupado nesse dia proposto, Teria que fazer-se a manicura Uxue Barkos?. Nom o sabemos, o que se sabemos é que nesse dia um contingente de centos de polícias de várias cores pegou de ostias à juventude de Iruñea, que ainda tem os corpos marcados, decretou o estado de exceçom no casco velho e como umha panda de covardes desalojarom o gaztetxe. Por isso nom podiam dialogar, estavam ocupados organizando o desalojo e inventando projetos sobre a memória histórica como o dos 450.000 euros.

O certo é que nom tinha nenhuma vontade de escrever o escrito até aqui mais em frente a tanto cinismo e caretas o asqueo chega a limites moi grandes. O meu maior desprezo e raiva a todos os que contribuírom algo, muito ou pouco, em atacar à juventude operária de Iruñea todos estes anos. Para min, como também dizia Errekaleor, todo aquele que contribui de umha forma ou outra em desalojar espaços do povo trabalhador o considero inimigo deste. Os que olharam a outro lado e tentado fazer controlo de danos só me dam pena.

Do que queria escrever é do bom. Sempre que vejo um «Gernika» acordo-me da minha amama. Se sou abertzale e outras coisas, em grande parte é graças a ela. No seu quarto tinha um quadro do Gernika, aí é onde me contou que perdemos umha guerra e muitas outras coisas mais. Também em Iruñea no dia do desalojo havia um Gernika nas portas do gaztetxe, e também havia umha amama que saltou a linha policial para fundir-se com a juventude: Josefina Lamberto, a irmá de Maravilhas.

Umha juventude que passe o que passe deu umha liçom e que nom se borrará jamais. E como dizia aquele, pudesse chegar o dia no que o valor da juventude trabalhadora basca decaera, em que esquecessem aos seus e se rompessem os laços da comunidade, no que umha horda de lobos e escudos rotos tentassem rubricar a consumaçom das suas fechorías, mas ontem nom foi esse dia. Loitou-se polo que se amava e um desalojo acabou diluíndose como um açucarilho enchendo de impotência a todo um sistema opresor a todas as suas armas e toda a sua miséria, e transformando em sorrisos as lágrimas do povo humilde.

Podem tentar desalojar e destruir todo o que queiram ou poidam, que mentres se siga golpenando o gelo a possibilidade de que casque sempre está aí. Sempre. Nenhuma luita neste país foi inútil. E ir cascando o gelo por aqui e por lá fará que seja mas fácil o momento do desgelo, onde todo se derrita e se evapore ao calor de que o povo trabalhador basco e a sua juventude recupere o que é seu, que é tudo.

Graças a toda essa juventude que segue golpenado o gelo e ânimo aos que nom som tam jovens e que devemos entender que os seus caminhos som os nossos. Nom é só um gaztetxe, que já é muito, é a guerra que perdemos que continuará até que a ganhemos. O que nom sabe o inimigo , é que o que verdadeiramente está ameaçado é o seu velho mundo que arde. O gaztetxe Maravilhas deu-lhes umha segunda oportunidade para que a ameaça de desalojo seja retirada. Fariam bem em aceita-la.

Nota: 19/8/2018 Umhas horas após que este post fosse publicado o governo de Navarra retirava a denúncia para o desalojo. Nom sem antes afirmar que a tentativa de desalojo «nom foi um erro» senom legítimo e que «nom supom em nenhum caso que o Governo renuncie à defesa do bem de titularidade pública», isto é, a tentar voltar ao desalojar ou ao pôr baixo o controlo do capital e as instituiçons burguesas, senom que a retirada da denúncia tem o objetivo momentâneo de procurar o “tempo necessário para preservar e assegurar a manutençom da segurança cidadá”. Nom descartam para um futuro por tanto voltar a atacar o gaztetxe, o desalojar ou subsumi-lo dentro da ordenaçom capitalista. Em qualquer caso, a vitória popular de ter parado em seco as suas sinistras intençons, de ter inutilizado esta tentativa de desalojo pola força ficará já para a lembrança da memória de luita de Euskal Herria. E a mesma determinaçom será a que em um futuro poderá gerar a resistência necessária para tentar parar qualquer nova tentativa de ataque seja de forma aberta ou encoberta.

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