[Portugal] Há 28 anos um povo luitou contra os eucaliptos. E a terra nunca mais ardeu

«A única maneira de travar os incêndios em Portugal é reduzir o eucaliptal e substituí-lo pela floresta autóctone», diz o ambientalista Serafim Riem.

Nestes dias de certo que, agás as surdas, todas as galegas escutamos que se bem na Galiza sopram maus ventos com isto dos incêndiosmuito pior estám nossas vizinhas portuguesas, que por nom ter, nem sequer contam com equipas profissionais para combater os lumes e só tenhem equipas de voluntárias que nom cobram um peso por apaga-los.

Nom é certa tal apreciaçom, dado que Portugal (com uma extensom de 92.256 km²), conta com, segundo dados de 2013, 42.592 bombeiros voluntários e 6.363 profissionais; em tanto no Estado espanhol (com 504.030 km²) segundo aporta o sindicato pactista UGT, o seitor da extinçom de incêndios ocupa 25.000 operárias no vrão e menos da mitade no resto do ano. Com o que o rátio bombeiro profissional por km² é bastante maior no Portugal (aprox 0’07 bombeiros por km²) que na Espanha (aprox 0’05) e isso sem ter na conta os 42.592 bombeiros voluntários!!

UGT vêm de denunciar que nom só na Galiza houvera despidos (e recontrataçons tardias depois) antes da chegada do furacám Ophelia, porque o governinho dera por finalizada a tempada de lumes; tamém em Asturies e Castilla-León (os 3 lugares mais afetados pola última vaga de lumes) houvera despidos maciços; de tal jeito que entre os governos de Galiza e Asturies despediram 1.116 “bombeiros forestais e brigadistas” e em Castilla-León os despidos afetarom ao 70% do persoal adicado ás tarefas de extinçom.

Além de que o conceito de profissionalismo, ao meu humilde entender, está sobrevaloradopois nom por possuir um título ou aprovar uns exames já sabes mais que quem leva toda sua vida enfrontándo-se aos lumes; cabe dizer que Portugal, á contra do que sucede no Estado espanhol, têm séculos de história de participaçom vizinhal no combate dos lumes: Em 23 de Agosto de 1395 D. João I, através da Carta Régia, promulgara a organizaçom do primeiro Serviço de Incêndios de Lisboa, ordenando que: “…em caso que se algum fogo levantas-se, o que Deus não queria, que todos os carpinteiros e calafates venham àquele lugar, cada um com seu machado, para haverem de atalhar o dito fogo. E que outros sim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem, tragam cada uma seu cântaro ou pote para acarretar água para apagar o dito fogo”.

Pola contra no Estado espanhol consideram-nos como incapazes, como parvas, como gente que tem que ser expulsa dos seus fogares e recluida longe da luita polo que é de seu. É sinificativo que, das 4 pessoas mortas na Galiza, nenhuma estivera em tarefas de extinçom propriamente ditas e em troques, nenhuma das inúmeras pessoas que se pugeram á faena, mesmo desouvindo as recomendaçons da Junta, tivera feridas de consideraçom, pouco mais que afogos polo intenso fume e pequenas feridas feita cos ramalhos usados para atacar os lumes e algumas queimaduras sem importância.

Porque no Estado espanhol importa mais as apariências que a efetividade, e assim é como gostam de enviar tropas da UME para que saiam nas fotos e imagens dos falsimédios como heróis que se arriscam para acodir a salvar ao povo indefenso; quando todas sabemos que som uns ineptos em ditas tarefas, nem conhecem o terreno nem atendem a raçons de cordinaçom, mas sempre estarám lá onde haja umha cámara de televisom ou um microfone.

Lembro dumha vaga de lumes que me pilhara nas estradas do Morraço e como umha parelha de Gardas Civis queriam levar-se com eles a umha senhora maior que andava com umha mangueira dando-lhe aúga aos muros que rodeavam sua vivenda fazendo caso omiso e ouvidos surdos da advertências da picola; nom sei que se passou depois porque nos obrigaram a seguir circulando mas dúvido muito que a boa da senhora deixara seu fogar. Isso mesmo se passa em todos os lumes que asolam Galiza e dos que, quem mais quem menos, já se atopou com algum e aprendeu a combate-los sem mais médios que imaginaçom e ferramentas e aparelhos caseiros. Quanto milhor seria que a Junta gastara uns quartinhos em prevençom e se deixara de gasta-los em propaganda partidária!!.

E o mesmo que se passa agora com os lobys ecologistas (greenpeace, ecologistas em açcción,…) e madereiros que estám a advertir de que a gente nom intervenha na recuperaçom dos montes por nom sei que obscuros intereses e outras patranhas. De novo querem fazer-nos passar por parvas ás galegas; como se alguém fosse sementar eucaliptos, mimosas ou pinheiros (isso é o que fam quem querem que nom intervenhamos); ou andar a arrebolar-se entre cinças. O povo galego sempre tirará de imaginaçom para fazer o que sempre soubo para combater os lumes (por desgraça nom nos queda outra…). É esse nosso saber transmite-se geraçom tras geraçom; porque índa que muitas sejamos urbanitas, todas as galegas de coraçom levamos nossa terra e nossas aúgas no nosso magim, porque sentímo-nos parte inseparável delas.

E quem chegastedes até eiqui na leitura igual vos perguntaredes que se passa com esse povo do cabeçalho onde já nom tenhem lumes depois de bregar por elo há 28 anos?? Pois acá vos colo o início da reportagem publicada este domingo passado em Noticias MagazineEm 1989 houve uma guerra no vale do Lila, em Valpaços. Centenas de pessoas juntaram-se para destruir 200 hectares de eucaliptal, com medo que as árvores lhes roubassem a água e trouxessem o fogo. A polícia carregou sobre a população, mas o povo não se demoveu. e com esta introduçom vos convino a clicar na ligaçom anterior de Notícias Magazine e desfrutar da leitura desta passagem da história do Portugal que, ao meu entender, deve servir como ejemplo de luita popular polo que é de seu e onde nada pintam governos nem governinhos nem suas forças armadas da ordem e da lei. (As fotos que acompanham esta entrada som tomadas desse artigo, autoria de Ricardo J. Rodrigues, algumhas som de arquivo do próprio jornal e outras som autoria de Rui Oliveira)

Como remate aponto umha intervençom interesante que jurdeu outro dia numha conversa falando dos lumes e da intençom de Feijoo de que a gente se chote e colaboure na detençom de suspeitosos incendiários, um chamado á delaçom dos seus próprios paisanos. Todas concordamos em que o silêncio como resposta a essa demanda dos governos forma parte da nossa idiossincrasia como povo, onde o sentimento de pertença a uma comunidade, uma aldeia, uma vila é muitíssimo maior e tem muita mais valia que as ordes recebedas por alguém que é visto como um estranho, como alguém que vêm a entremeter-se na suas vidas do comum; do mesmo jeito que todas as galegas de coraçom entendemos a negativa da senhora do Morraço a ir-se cos picolos.


Um artigo de O gajeiro na gavea.

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